terça-feira, 17 de junho de 2014

Programa de mobilidade recebe mais R$ 6 bilhões

13/06/2014 - Valor Econômico

Os investimentos na infraestrutura produtiva, de logística e transportes são os fatores responsáveis pela escalada de crescimento da economia da Bahia, nos últimos anos. Mas, do ponto de vista social, a questão da mobilidade urbana salta aos olhos como uma das maiores preocupações. Até 2017, o governo federal deve ser o maior investidor dos R$ 6 bilhões que serão aplicados no sistema metroviário Salvador-Lauro de Freitas, uma obra que, nos últimos 14 anos, construiu apenas seis quilômetros de vias ainda inoperantes "Sob o aspecto da qualidade de serviços à população, especialmente da mais pobre, a questão de mobilidade é gravíssima, pois fere a dignidade do cidadão", diz Bruno Dauster, chefe de gabinete da Casa Civil do governo da Bahia. 

Para dar conta desse desafio, na área de mobilidade urbana, o governo estadual assumiu, em meados do ano passado, as obras de construção do metrô, até então sob responsabilidade da Prefeitura de Salvador. E modificou o modelo de contratação para construção e operação. "Criamos uma Parceria Público Privada, para concessão ao longo de 30 anos, que é um modelo mais competitivo para o transporte coletivo", indica Dauster. 

O grupo CCR, formado pela Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido, único consórcio a se apresentar, foi declarado vencedor da licitação. "A mudança mais significativa é que o metrô deixa de ser uma obra pública para virar concessão. Isso tira o foco da obra e coloca o foco na prestação do serviço", diz Harald Peter Zwetkoff, diretor presidente da CCR Metrô Bahia. 

Segundo ele, a modelagem do negócio para uma primeira etapa prevê um investimento total de R$ 3,6 bilhões, dos quais R$ 1,2 bilhão provenientes do governo federal, R$ 1 bilhão do governo estadual e R$ 1,4 bilhão restantes da concessionária. Com isso, se viabiliza a construção e o início da operação e manutenção do sistema, até abril de 2017, com etapas intermediárias. 

"Em junho, iniciamos uma operação assistida do primeiro trecho, que vai da Lapa até a estação do Retiro. Em janeiro de 2015, o metrô chega até a estação de Pirajá, em outubro, até a Rodoviária, em abril de 2016, pegamos mais quatro estações, em outubro, outras quatro estações, e, em abril de 2017, chegamos ao aeroporto, fechando toda a inserção do projeto", diz Zwetkoff. 
Outro foco estratégico é a integração do sistema portuário e ferroviário para escoamento de parte da produção de grãos do Oeste baiano e de minérios na região de Caetitê. O projeto de construção do Complexo Porto Sul, em Ilhéus, está praticamente definido, dependendo apenas da avaliação dos estudos ambientais complementares pedidos pelo Ibama, que serão entregues até agosto, diz Carlos Costa, secretário da Indústria Naval e Portuária da Bahia. Com investimento previsto em R$ 5 bilhões, o Complexo Porto Sul terá duas unidades: um Terminal de Uso Privativo (TUP), que deverá ser construído pela Bahia Mineração (Bamim), com capacidade de movimentação de carga de até 45 milhões de toneladas por ano, e um terminal multiuso, que será construído por meio de uma Sociedade de Propósitos Específicos (SPE). 

O Complexo Porto Sul funciona como elo vital em uma cadeia de transportes que tem como elemento a sua integração com a Ferrovia Oeste-Leste, uma obra do governo federal incluída no Plano Nacional da Viação, orçada em R$ 6 bilhões. Segundo informações da Valec- Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., controlada pelo Ministério dos Transportes, a Fiol terá 1.527 quilômetros de extensão, saindo de Ilhéus até chegar a Figueirópolis, no Tocantins, ponto de interligação com a Ferrovia Norte-Sul. O trecho que está sendo executado na Bahia tem 1.027 quilômetros e a capacidade inicial da ferrovia é de transportar 40 milhões de toneladas ao ano.

Um mapeamento dos investimentos em desenvolvimento no Nordeste, no período de 2011 a 2016, realizado pela PricewaterhouseCoopers (PwC), uma das maiores consultorias globais, mostra que de 4.775 empreendimentos na área de infraestrutura produtiva, logística e transporte, atualmente em execução, a Bahia responde com 850 projetos, com um total de investimentos de R$ 68 bilhões. São projetos nas áreas de transportes (portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e metrô) e em segmentos não tradicionais, como a área de tecnologia da informação, educação, saúde e energia, avalia Marcelo Cioffi, sócio-diretor da PwC. 

No setor de energia, um dos projetos mais importantes vem sendo desenvolvido pela Dow Brasil, instalada em Aratu, em parceria com a Energias Renováveis do Brasil (ERB), para cogeração de energia a partir de biomassa de eucalipto. De acordo com Rodrigo Silveira, diretor de operações Aratu/Camaçari, o projeto prevê um investimento de R$ 265 milhões e a substituição de 170 metros cúbicos de gás natural pela produção anual de 1,08 milhão de toneladas de vapor industrial, a partir de toras de eucalipto.

Fonte: Valor Econômico
Publicada em:: 13/06/2014

Um comentário:

Filipe disse...

Quando vão atualizar as informações sobre a obra? Eu acompanho o blog aqui, mas tem mais um mês sem nenhum a nova noticias sobre as obras. Queria saber como está a etapa do Retiro a Bom Juá.

Obrigado!